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Sexta-feira, Dezembro 02, 2005
MATILHA DE DIRCEU
José Dirceu foi jogado aos cães, isto é fato, e não só pelos "companheiros", mas pelo próprio Lula. Escaldado, Sua Incelença dispensou um dedo para salvar a mão, mas desconfio de que dessa vez tenha perdido um braço inteiro, ou os dois. Há quem veja a ex-eminência parda do Planalto como mártir, ou mesmo como simples bode expiatório. Pra mim, ele simplesmente colheu o que plantou, esse foi o resultado previsível a tanta empáfia e arrogância. Basta lembrar o episódio do chá-de-cadeira que ele ofereceu ao Gabeira, o cara que ajudou a seqüestrar o embaixador americano para livrá-lo da tortura. Ademais, o esquemão todo da matilha que adestrou foi desmascarado pelo isolamento que ele próprio infligiu-se, a partir do momento que julgou-se superior à ralé parlamentar que o sustentava, imaginando-se, talvez, ungido pelos mesmos princípios de inquestionabilidade de um Lênin, um Stálin, um Fidel, livre para cometer o que fosse que justificasse a "causa". Faltou manha, sem dúvida: marreco novo não nada em lagoa funda, diz o vulgo. E malandro demais se atrapalha. Engraçado que tivemos recentemente o caso do Collor, presidente que, em resumo, caiu pela auto-suficiência quase tão grande quanto seu ego. Talvez o Zé não tenha atentado à lição: é básico que, em política, ninguém gosta - sequer admite - quem não precise dos outros. A interdependência e a manutenção das relações cordiais entre Poderes - ou, se é que você prefere uma expressão mais direta, o toma-lá-dá-cá - são essenciais para o bom andamento das coisas neste país presidencialista de Constituição parlamentarista. Nesse ponto FHC foi mestre; apagou todo palito e isqueiro acendidos contra seu palheiro, antes mesmo da primeira fumacinha. Morre aqui, poucos estão se dando conta, o projeto do partido da estrelinha de permanecer vinte anos no poder, já que o PT dava como favas contadas a reeleição do Lula e o sucesso da virtual candidatura de Dirceu em 2010, eleição que ele não vai mais poder disputar com essa inelegibilidade de oito anos. Caiu o ex-quase-futuro-Presidente da República, o que não é pouca coisa. Caiu o capitão, o maestro, o homem por trás do pano, o Dr. Frankenstein. Resta saber como ficará a Criatura sozinha em meio à matilha faminta. |
Alabê na roda | ||