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Quarta-feira, Janeiro 25, 2006
O TOM DO RIO
Hoje também devia ser feriado aqui no Rio. Não pelo santo do dia, São Paulo, padroeiro da vila de mesmo nome fundada por jesuítas nesse mesmo dia no planalto de Piratininga, mas pelo aniversário de nascimento do nosso refundador, se é que isso pode ser dito assim. Depois de Estácio, que morreu flechado como o santo que lhe apareceu em meio à batalha, e portanto não viveu sequer para ver sua São Sebastião desabrochar, quem refundou esta cidade, que não é só um pedaço de chão bonitinho mas a própria maneira de ser e de viver que - sorry, periferia - ainda define e caracteriza o ser brasileiro, foi Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, o nosso Tom. O Rio de Tom troca a noite dos cassinos e inferninhos, dos boleros e sambas-canção, das femmes fatales e amantes suicidas pelo dia de sol e mar, vento de maresia, moças douradas e sorridentes. É mais bonito, é mais luminoso, usa roupas folgadas e chinelos de dedo. Acrescenta uma bossa nova à velha bossa da cidade, e por isso, é muitíssimo mais carioca. Com o Maestro, não muda só a música brasileira, mudamos todos nós, cariocas de ofício e devoção. Viva, Tom! |
Alabê na roda | ||