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Quinta-feira, Julho 27, 2006
DOIS EM UM
Isso de ser pai só de menina é lindo, torna você um cara muito mais sensível e coisa e tal, mas tem hora que o nível da testosterona bate lá no fundo. É uma profusão de bonequinhas, e figurinhas, e panelinhas, e mais um monte de inhos e inhas, tudo em infinitos tons de rosas e lilases. Com brilhinho. E aí chega uma hora em que um sujeito macho, por mais feminino que seja, não agüenta: há que se repor os níveis hormonais. Para tanto, posta-se o sujeito macho defronte ao aparelho televisor, envergando, já que é dia de decisão de campeonato, a camisa de seu time de futebol (o popular Manto Sagrado), latinha de cerveja à mão, controle remoto à outra (só pra dar aquela falsa sensação de controle absoluto da situação), ensaiando todos os palavrões reprimidos. Sentindo-se mesmo o último dos hunos. Quase arrota e cospe pro lado, mas foi dia de faxina e o chão está limpo, e ele não pretende arrumar encrenca com o inimigo, não enquanto as atenções têm de estar voltadas somente para a peleja na TV. E não é que, sub-repticiamente, abrem-se as cortinas, começa o espetáculo e quem vem correndo serelepe sentar-se ao lado do pai huno é a menininha princesinha bailarininha cor de rosinha? Só que vestida para a guerra: mini-camisa do time (saia combinando, que ninguém é de ferro), bandeira na mão, desenho-vudu com placar de goleada a nosso favor, pulseiras e apetrechos variados nas cores da Nação. E xinga o juiz, vaia jogadores rivais, quer matar os torcedores adversários um a um com seus superpoderes, grita gooooollll acordando até os jacarés vizinhos e manda um "ôôô, vice de novo..." melhor que muito marmanjo, a menina huno (ou huna, sei lá se existe isso). E aí, ao huno reabastecido, resta somente se perguntar pra quê um moleque ranheta, com esse furacão tão bonitinho dentro de casa. |
Alabê na roda | ||