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Quarta-feira, Agosto 23, 2006
NOTA FÚNEBRE

E o Caixa d'Água, hein? Fechou a tampa. Fico pensando; se o Eurico era tão amigo do cara, quem sabe ele também não se anima? Perigava até a gente voltar a ter futebol por estas bandas.



Segunda-feira, Agosto 21, 2006
BANDEIRA

Não sou de sair por aí declarando voto, não faz meu estilo. Acho que todo mundo vem de fábrica com cérebro pra tomar suas próprias decisões sozinho, e não há de ser por ouvir - ou ler - minhas impressões, que alguém vá mudar de lado, e isso não só na política, como em religião, futebol, sexo ou qualquer outro campo de atividade humana. Cada um que cuide do seu cada qual, não sou eu quem vai querer ditar verdades a outrem. Mas tem horas que a gente deve se manifestar, não adianta. Seja por falta de assunto melhor, seja para tentar chamar a atenção para algo despercebido, ou atropelado mesmo, pelo (argh!) sistema.

Dito isto, vou direto ao assunto: meu voto pra presidente vai para Cristovam Buarque.

Cristovam não tem hardware de presidente, eu sei, mas gosto do software. Ele fala baixo e devagar, professoral, com aquela cara bonachona de tio de fim de semana. É quase triste, lembra um pouco o Dutra. Não tem aliados de peso, não tem uma campanha milionária. Mas o mote educação-educação-educação, que os tolos tendem a reduzir como samba de uma nota só, me encanta. Primeiro porque não há, nem houve nunca um candidato a presidente (Brizola chegou perto, mas era o Brizola) que tenha ousado levantar essa bandeira monotemática, por um simples motivo: educação não dá voto. Neguinho quer comida, emprego (não-sei-quantos milhões, lembram?), saúde, segurança, coisas mais imediatas. O cabra tem coragem, por aí já se vê.

Em segundo lugar, porque a educação é, sim, o caminho para resolver os problemas de uma nação, de qualquer nação. É trabalho árduo de longo prazo, coisa para vinte, trinta anos, mas que tem que começar de alguma forma. Investir maciçamente em educação é, sim, a única forma de promover a revolução social no país, dar acesso a um monte de lixo humano que (sobre)vive à margem de tudo. Saúde, violência, consciência cívica, favelização, mão-de-obra qualificada, meio ambiente, corrupção, reforma agrária, tudo isso passa por onde?

Distribuir renda, lamento informar, só com educação decente. Desenvolver ciência e tecnologia nacionais, idem. Senão é tudo só firula, bolsa-esmola ou turismo de astronauta em espaçonave alheia. E sem uma sociedade menos desigual, profissionais capacitados e a duplinha ciência & tecnologia, nenhum país cresce, inflação zero não serve pra nada. Engraçado que, no tempo da ditadura, a oposição dizia que não interessava aos generais dar educação ao povo porque povo informado não é manipulado. Os milicos foram embora, mas as agendas dos candidatos continuam as mesmas do Brasil Grande: crescimento econômico, controle da inflação, choque de gestão, blablablá. A quem interessa, agora, o povo permanecer desinformado?

E outra, não dá pra agüentar injustiça: isso que a imprensa faz, ao tentar rotular Cristovam Buarque como candidato sem plataforma, chega a ser covardia - para não dizer desonestidade. Cristovam é homem sério, foi reitor da UnB (que redemocratizou), governador do DF (com belas realizações e grande aprovação popular), Ministro da Educação de um Presidente que não dá a mínima para o assunto, desfaz de quem estuda para "ser alguém". Não podia dar certo mesmo, pulou fora como tantos outros, incluída aí a Heloisa Helena, nova queridinha da inteligentsia, agora em versão light, mais palatável. Só que à HH interessa é fazer barulho, vencer a cláusula de barreira e manter seu partido na ativa, nem que pra isso tenha que distribuir sorrisos, receber flores e maneirar nos impropérios. Cristovam não, ele é homem da Educação, está coerente com sua ideologia da vida inteira. Sabe que não vence, tem um por cento nas pesquisas e é provável que não saia disso. Mas a bandeira está aí, quem quiser que a siga. E é com essa que eu vou.





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